Libidinosa
Todo domingo costumo ler a coluna da Martha Medeiros no Globo, ou no Zero Hora. Na última coluna ela falou sobre ciúme entre casais. Um pouco depois de ler a coluna dela, li o ótimo texto da Mary falando sobre uma nigeriana que se exilou na Suécia por ter cometido adultério em sua terra natal.
Vejo a possessividade com uma característica que ainda une seres humanos e animais. O instinto de passar adiante o seu DNA e não permitir que os demais passem adiante o deles. Também me parece um resquício de infância: caso fulano(a) tenha outros(as) em sua vida, como é que vai estar comigo e cuidar de mim?
Acho no mínimo estranho que as pessoas depois de estabelecer uma união estável só se permitam ter amigos do mesmo sexo (em caso de casais heterosexuais) e quando se relacionam com alguém do sexo oposto precisam da presença do cônjuge. Qualquer coisa fora disso e o(a) vivente já se sente e é apontado como adúltero. O engraçado é que aqueles(as) que mais pulam a cerca são os(as) que mais tomam cuidado para não serem vistos(as) sozinhos com alguém do sexo oposto.
É normal que as pessoas sintam atração por outras. Não entendo por que se deve fazer um drama quando se descobre que aquele(a) que divide a vida com você possui libido. Ora pois, acho que deveria ser motivo de alegria, a não ser que se pretenda viver ao lado de um ser assexuado. Como diz o Simão, se monogamia fosse normal os motéis não viveriam cheios na hora do almoço.
Bom seria se nos horrorizássemos mais com o que fazem os nossos políticos do que com quem os outros fazem sexo.
