Reminiscências

Domingo, Abril 30, 2006

Libidinosa

Todo domingo costumo ler a coluna da Martha Medeiros no Globo, ou no Zero Hora. Na última coluna ela falou sobre ciúme entre casais. Um pouco depois de ler a coluna dela, li o ótimo texto da Mary falando sobre uma nigeriana que se exilou na Suécia por ter cometido adultério em sua terra natal.

Vejo a possessividade com uma característica que ainda une seres humanos e animais. O instinto de passar adiante o seu DNA e não permitir que os demais passem adiante o deles. Também me parece um resquício de infância: caso fulano(a) tenha outros(as) em sua vida, como é que vai estar comigo e cuidar de mim?

Acho no mínimo estranho que as pessoas depois de estabelecer uma união estável só se permitam ter amigos do mesmo sexo (em caso de casais heterosexuais) e quando se relacionam com alguém do sexo oposto precisam da presença do cônjuge. Qualquer coisa fora disso e o(a) vivente já se sente e é apontado como adúltero. O engraçado é que aqueles(as) que mais pulam a cerca são os(as) que mais tomam cuidado para não serem vistos(as) sozinhos com alguém do sexo oposto.

É normal que as pessoas sintam atração por outras. Não entendo por que se deve fazer um drama quando se descobre que aquele(a) que divide a vida com você possui libido. Ora pois, acho que deveria ser motivo de alegria, a não ser que se pretenda viver ao lado de um ser assexuado. Como diz o Simão, se monogamia fosse normal os motéis não viveriam cheios na hora do almoço.

Bom seria se nos horrorizássemos mais com o que fazem os nossos políticos do que com quem os outros fazem sexo.

Quarta-feira, Abril 26, 2006

Saúde

Há alguns minutos recebi a inesperada visita de uma agente comunitária de saúde. Ela queria saber de nós. Através dela fiquei sabendo que todas as gestantes e crianças até os dois anos de idade recebem visitas mensais dos agentes. Não, eu não receberei visitas mensais, não é o caso.

Fiquei feliz em saber da igualdade de tratamentos entre as pessoas. Não estão sendo assistidos apenas os que vão ao posto de saúde com frequência. Todos nós estamos recebendo as visitas. Acho que ao menos aqui os programas de saúde estão indo razoavelmente bem.

Já ouvi até falar de atendimento melhor em alguns postos do que com médicos que atendem convênios. Vale registrar o fato, visto que grande parte das pessoas prefere qualquer médico ao médico do posto de saúde. Bem, acho que existem bons e maus profissionais espalhados por aí. Sempre vale a pena ver se o médico que está no posto pertinho da sua casa merece a sua confiança.

Aos desavisados, estou morando em Curitiba. Não posso falar sobre como são os programas de saúde de outras cidades brasileiras. Mesmo aqui, não são só flores. Nos postos de atendimento 24 horas, as filas de espera são quilométricas. De qualquer modo acho que se deve registrar quando algo interessante está sendo feito.

Terça-feira, Abril 25, 2006

Infelizmente procede. Os hormônios alteram nosso estado de humor sem dó nem piedade. E aí a gente acorda assim no maior desânimo e pessimismo. Nada está bom, o copo está meio vazio e a gente está com o saco cheio, apesar de não ter um.

Os jornais, esses não colaboram mesmo, nada a celebrar, muito do que se envergonhar. Pobres dos que vivem em Brasília e correm risco de cruzar com alguns dos tantos picaretas que levam nossos tostões e o que restava da nossa esperança. Em quem votar? Não se preocupe, a pergunta é retórica.

Nesses dias que teimam em ser acinzentados, apesar do sol brilhando lá fora, a vontade é de cavar um buraco com os pés. E ficar por lá até que esses dias passem. De todo modo não há de ser nada. Dias assim se repetem todos os meses desde que me tornei mocinha. É de algum consolo saber que muitas outras mulheres passam pelo mesmo, com a mesma frequência.

Agora vou lá, cuidar da vida e fazer o tempo passar.

Segunda-feira, Abril 17, 2006

Sagrada

Muito tempo atrás eram celebradas as estações do ano no velho mundo. Lá, onde as estações do ano são bem definidas. A primavera era a época de se fecundar a terra e as mulheres. Os frutos da terra viriam durante o verão ou, na maioria dos casos, durante o outono. A mulher daria à luz no início do inverno - fim de dezembro, caso tenha sido fecundada no início da primavera - fim de março.

Tempos depois teve início a era cristã e os rituais de celebração da natureza tiveram que ser adaptados a rituais de celebração da vida do cristo. Então o cristo sofre muito no fim do inverno e renasce no início da primavera. O nascimento de Jesus menino ocorre no início do inverno, sua mãe foi fecundada no início da primavera, como se fazia naqueles tempos para celebrar a época do ano de solo fecundo.

Trouxeram então todas as celebrações cristãs para o novo mundo. Ficamos aqui, no hemisfério sul, celebrando a vida do cristo sem qualquer associação com a celebração da natureza. Celebramos o renascimento no outono, o nascimento no verão. A natureza não é celebrada na nossa cultura. Celebramos a vida de uma pessoa sem associá-la à natureza que a cerca.

Aí gente de pouca fé, como eu, fica pensando que lindo seria termos por aqui um belo ritual pagão. Fantástico poder celebrar a natureza que nos cerca e da qual dependemos completamente. A natureza, a deusa que reverencio tentando estudá-la. tando estudbrar a natureza que nos cerca e da qual dependemos completamente. A natureza, a deusa que reverencio humildemen