Reminiscências

Quinta-feira, Junho 29, 2006

Leituras

Na minha adolescência sobravam-me horas livres e vontade de ler, o que quer que fosse. Caiu-me nas mãos uma vez "O fio da navalha", de Willian Somerset Maugham. No livro, personagem principal faz de tudo um pouco ao longo de sua vida, no final, provavelmente, vai dirigir um taxi em New York.

Tenho uma certa tendência a viver de modo linear, acho difícil mudar de rota. Só que ultimamente a vontade de mudar de rota tem sido maior que a vontade de seguir pelo mesmo caminho. O medo de mudar ainda está presente mas sinto uma certa urgência em fazer com que algo aconteça.

Fico a olhar os caminhos por onde passei e vejo que quando houveram mudanças elas se impuseram, não as procurei. De um certo modo já vivi bastante de acordo com o que se esperava de mim. Agora penso no que eu espero de mim mesma. Espero sair do tédio. Tomara eu consiga juntar forças para mudar de rota tantas vezes quantas forem necessárias.

Quarta-feira, Junho 28, 2006

Nós e os Hermanos

Meu sonho é ver uma final entre Brasil e Argentina. Sei, as possibilidades de que isso aconteça são pequenas. Em geral, copa na Europa é para os europeus. A arbitragem deve ajudar o time da casa, mas confio na marra dos nossos hermanos. Se tem um time que pode tirar os alemães da copa, esse time é a Argentina. Vou torcer pelos hermanos, torcer para vê-los na final.

O jogo de sábado será difícil, ainda mais se o professor Parreira resolver escalar o time de 1 a 11. Será que ele ainda acredita que o Adriano é capaz de jogar futebol? Para mim, o Adriano é reserva de Ronaldo, não dá para ficar com os dois em campo. Será que não dava para tirar pelo menos um dos laterais veteranos? Cafu e Roberto Carlos merecem consideração, mas nós também merecemos.

Tenho péssimas lembranças de jogos contra a França. Em 86 jogamos muito e perdemos. Durante o jogo Dr. Sócrates perdeu um pênalti, vocês lembram? De 98 nem é necessário falar, simplesmente nossos jogadores desistiram de jogar. Espero que no jogo de sábado eles nos dêem de presente um bom jogo, que joguem com muita vontade. E que vença o melhor, os nossos.

Quinta-feira, Junho 22, 2006

Crítica aos Críticos

A vida toda fui muito crítica, principalmente no que diz respeito a mim mesma. Então, a duras penas, fui aprendendo que a crítica excessiva faz mal, a mim e aos outros. Se antes era importante fazer valer minha opinião, hoje é importante que respeitem a minha privacidade. Não quero meter o bedelho na vida alheia e acho horrível que alguém venha se meter na minha vida.

Acredito que a única dificuldade de adaptação que ainda sinto aqui é justamente a falta de respeito. É que muito sem cerimônia as pessoas se metem na vida umas das outras por aqui e isso me tira do sério. Acaba que evito o quanto posso falar sobre a minha vida com os outros, assim evito incômodos.

Por isso, fico com pena dos 23 do nosso escrete. Tudo bem, eles ganham milhões, mas o preço que pagam é, para mim, alto demais. Não deve ser nada agradável ler inúmeras críticas sem fundamentos a seu respeito todos os dias nos jornais, revistas, internet, etc. Os caras precisam ter um filtro muito bom para passar incólumes por isso. Saber o que se passa com eles, só eles mesmo sabem.

Anyway, the show must go on ...

Sábado, Junho 17, 2006

Inferno Astral

Há momentos em que as esperanças são parcas e a sensação é a de que sou muito, muito pequena. Se existe o tal inferno astral, entrei nele há mais de um ano e dele não sou capaz de sair. Ao que parece não sou a única, há no orkut inúmeras comunidades chamadas “tô de saco cheio”. Minha impressão é de que as coisas demoram eras para acontecer na minha vida e, quando acontecem, dão errado. Tivesse eu uma filosofia Coelhiana de vida, pensaria que o guerreiro de luz nunca esmorece. Criatura de pouca fé que sou, penso é que gostaria de um canto sossegado para esperar o tal inferno passar. Sempre haverá quem diga que seja falta de correr atrás. O problema é que corro, corro, chego a uma distância infinitamente próxima a um certo objetivo e aí, num passe de mágica, ele está, novamente, inalcançável. E logo estarei eu, a correr novamente, que assim meu código genético manda. O greyhound pode até saber que não chegará nunca ao coelho, mas morrerá tentando chegar até ele. A questão é que não adianta ganhar a corrida, quando o que você queria mesmo era pegar o tal coelho.

Segunda-feira, Junho 12, 2006

Papo de Copa

- Vamos lá assistir o jogo da Itália, os jogadores são tudo de bom.
- Nem adianta, a realidade da gente é outra.
- Hahahaha

PS: Participem da enquete! Agradeço à Ticcia, à Valéria e à Fefê, pela colaboração. Adorei meninas.

Sábado, Junho 10, 2006

Enquete

Época de copa, eu adoro, mas sei muitas mulheres detestam. Para que estas tenham assim um refresco nesses dias de jogos, resolvi fazer uma enquete: qual é, na sua opinião, a mais bela homenagem prestada por um homem a uma mulher? Ou por um homem a todas as mulheres? Deixe sua resposta no LV, ou mande uma mensagem para anna.gt arroba gmail pontocom
Desde já agradeço a quem participar. Depois dessa enquete prometo não tocar mais no assunto, por uns dias, pelo menos.

Sexta-feira, Junho 09, 2006

É Hoje

Acredito só ter me dado conta de que estou de volta ao lar agora. Percebi que nessa copa estou no Brasil, estou em casa. Lembro com carinho da última copa, que me fez sentir o gostinho de casa, quando a saudade doía. Viver longe foi importante, estar aqui agora é ainda melhor. Considerava-me uma estrangeira na minha própria pátria, antes de sair daqui. Agora sei, não era estrangeira, sou só estranha. Estrangeira eu era em Copenhague, onde era bem tratada pelos nativos, mas era considerada um ser de outra espécie.

Estou comovida com a recepção dos alemães aos brasileiros. Todos estão se esforçando em falar português, em ter cardápios em português, em mostrar que os brasileiros são bem-vindos. Passei uns dias em Berlim em 2004, na época fiquei com vontade de morar lá um tempo. Quase chorei ao passar pelo que resta do muro, deve ter sido muito triste viver em uma cidade dividida. Senti-me muito bem recebida lá, e nem era época de copa, adorei os alemães.

Hoje então, vamos torcer para que esta seja uma bela copa. E que vença o melhor time, o nosso, é claro! Licença, que agora o Paulão vai tomar conta.

Quarta-feira, Junho 07, 2006

Matisse


E ontem eu falava sobre as inúmeras homenagens que eles nos prestaram. Hoje lembrei de uma que acho sublime. A Dança de Matisse. Toda a sensualidade das formas femininas está nesta tela que pode ser vista no museu Eremitage em São Petesburgo. Gostaria imensamente de olhar de perto esta obra. Alguém aí me consegue uma passagem?

Terça-feira, Junho 06, 2006

A Eles, com carinho

Foram inúmeras, incontáveis, as homenagens que eles fizeram a nós. Foram também incontáveis as brincadeiras de gosto duvidoso que eles fizeram conosco, mas isso a gente releva. E eles dão, sem dúvidas, um gostinho especial à nossa existência.

Gosto dos que conservam algo de meninos. Um jeito dengoso, um olhar cheio de brilho. Gosto quando eles abraçam forte e protegem. Gosto deles se exaltando em dia de futebol. É bom aprender com eles. É bom ouvir as histórias deles. É bom ficar em silêncio ao lado deles.

Eles carregam um cromossomo sem uma perna, acho que é a perna a mais que nos faz tão atentas aos detalhes. Há detalhes deles que só nós vemos. Notamos a barba por fazer e nos indagamos o motivo da depressão. Percebemos os toques mais sutis e acreditamos que estão interessados. Enxergamos o que gostaríamos que fosse verdade.

E eles se divertem com as nossas estranhas conexões. Com a tendência, muito feminina, a acreditar em mágica. Estranham as que gostam de lógica e depois por elas se encantam. Encantam-se também com belas formas, seios fartos e carinhos sinceros.

Passion Fruit

Nos meus tempos de Dinamarca freqüentemente ficava desolada com o alto preço e a má qualidade das frutas. As frutas de que mais gosto, lá são consideradas exóticas. Manga, mamão e maracujá quando aparecem têm gosto estranho ou gosto nenhum.

Uma das minhas maiores alegrias na volta ao lar é ver o pé de maracujá carregado. Muitos e muitos maracujás me esperam. Tenho que doar maracujás para os amigos por não conseguir consumir tantos assim.

A única coisa que sinto falta é de chamar o maracujá de passion fruit. Fruto da paixão, de onde será que surgiu esse nome?

Sexta-feira, Junho 02, 2006

Poe e Clarice

No dia em que fomos assistir o tal Código, chegamos cedo, compramos os ingressos e fomos passear. A melhor parte da tarde foi o passeio pela livraria, da qual não consegui sair de mãos vazias. Encontrei lá Poe traduzido por Clarice e não resisti. Quando voltamos para o cinema, tinha fila, ainda bem. É que na fila comecei a ler minha nova aquisição. Consegui ler o conto do gato preto todo enquanto esperava. Ler o conto contando também com o olhar de Clarice é sublime.

Quanto ao filme, bem, é pipoca. Diversão de qualidade foi o passeio, o cafezinho em boa companhia, a leitura de antes ...

Quinta-feira, Junho 01, 2006

Gigantes na Areia

Para quem gosta de esculturas: tem fotos muito bonitas no Guardian do festival de escultura na areia. A areia viajou da Holanda para a Inglaterra, não sei por que a areia inglesa não servia. O tema do festival é a Roma antiga. Tem esculturas muito bonitas, vale conferir.

Meus Melhores Dias

Cafunés a qualquer hora do dia. Olhos que sorriem para mim sempre que encontram com os meus. Desenhos feitos especialmente para mim. Toques cheios de carinho. Pés quentinhos que esquentam os meus, que são tão frios. Chamadas, quando preciso de chamadas. Brincar de amigas. Ouvir aquela frase (eu te amo), incontáveis vezes. Palavras que encorajam. Mimos sem fim. Dançar pela casa às gargalhadas.

Assim viver é bom!