Reminiscências

Sábado, Outubro 25, 2008

Parte VI - Despertar

A casa estava de pernas para o ar e havia muitas pessoas lá. As pessoas me acordaram e fui me vestir. Dei com um armário cheio de sapatos, alguns eram meus, outros não. Alguém dormia em um canto do quarto, todo encolhido. Mal pensei que não era uma boa ideia dormir em um canto quando ele se mudou para a cama que eu há pouco ocupava.

Aí fiquei a trabalhar, fiz o trabalho de quem dormia também. Ganhei um lindo sorriso pelo trabalho feito. Acordei, foi sonho. De todo modo, tenho feito meu trabalho, da melhor maneira possível. Vai ver o futuro me reserva alguns sorrisos.

Terça-feira, Outubro 21, 2008

Parte V - Sabor

A raiz da ansiedade é a necessidade de controle. No entanto uma mente controlada é tranquila, livre de qualquer ansiedade. O segredo então é controlar a própria mente e se abster de qualquer outro controle. Porque o fato é que qualquer outro controle é ilusão.

O mistério de saber-se é aquele que leva além. Leva até a conjugar o verbo amar em todos os tempos e em todas as pessoas. Sei-me hoje com gosto de morangos, cheiro de baunilha, pele balzaquiana, som de bem-te-vi e visual de mulher que é somente o que pode ser. Sei-me um tanto hoje, um pouco mais amanhã.

Saberei você, caso queira que eu saiba. Caso não queira, talvez eu fique sabendo um tanto ainda assim. Não será por mal. É que só sei saber.

Domingo, Outubro 19, 2008

Parte IV - Mensagem

Pode o pensamento mais que a fala? O quanto é necessário focar para ser percebido? Em todo caso, melhor focar e enviar mensagens pensadas. Enviar muitas mensagens, enviar sempre. Pensar em palavras e gestos que levem além e que façam sentido nesse mundo onde pouco se percebe do outro. Tão mais fácil é olhar a si, projetar-se em todos, fazer com que sejam todos eus tortos. Aí leva-se a vida desentortando eus ... e assim a vida se vai.

Manter o foco na mensagem do pensamento. Enviar um cheiro, um sabor, uma imagem, palavras, música ou tudo junto. O pensamento é importante e é melhor não desperdiçar. Todos os dias por algum tempo é essencial livrar a mente de qualquer pensamento. Para ser livre. Só é livre quem comanda os próprios pensamentos.

Quantas viagens já fiz sem sair do lugar. Todos já viajamos assim. Quanto mais se viaja com o pensamento maior é a possibilidade de se viajar de fato. Viajei bastante saindo do lugar também. Agora todos os lugares que visitei fazem parte de mim. Guardarei para sempre o vento de Copenhague. Quem sabe seja esse vento que me faz ir além agora.

Quinta-feira, Outubro 16, 2008

Parte III - A teia

A teia que a tudo une é infindável. Tudo nela muda ao menor toque. O que nela existe afeta tudo o mais que nela habita. E tudo está nela. Há algum tempo alguns se deram conta da existência da teia, mas para cada um que dela tem consciência há um exército que não se dá conta de que o universo nela existe.

A diferença entre todos nós é o quanto cada um enxerga da teia. A persistência é necessária no aprendizado de perceber mais longe. A flor deve perceber a maior distância possível. É o melhor que posso fazer por ela. Deve também saber se defender do mal que há.

Em cada um habita uma certa vulnerabilidade. Resta então fortalecer o que há de forte para proteger o que é mais frágil.

Quarta-feira, Outubro 08, 2008

Parte II - Frágil

A vida possível é frágil. O desapego é uma lição difícil e necessária. A flor vai deixar de existir, é importante que haja água para as próximas flores. Água e possibilidade de prazer. O prazer mora no que se sente, o quanto se percebe do mundo é o quanto se pode sentir de prazer. E de dor.

A dor é também temporária. O ressoar silenciou. As janelas são maiores. Os pelos estão arrepiados com o frio e há agora o prazer. Uma alegria quieta que vem da pequena chama que vive em tudo o que está vivo. Notar que existe a chama traz alegria e coragem.

Domingo, Outubro 05, 2008

Parte I - Janelas

As janelas são pequenas e o ressoar que ouço é pesado. A vontade é única: sair. Para onde, por quê, com quem, não importa. Há o motivo supremo, causa de todos os outros, mas este fica de lado por agora, como que fosse coisa menor. E assim se segue com pérolas aos poucos.

Mas o ressoar é intenso e incômodo, por onde começar assim? Com uma história de amor? De desamor? Dessas, há muitas. Desencontros, os mais variados. Encontros, poucos e intensos. Duas almas belas em sua ingenuidade, únicas no desejo que as unia e universais na sua humanidade.

Há ainda a flor. A lembrança da flor é o que leva além, é o que traz de volta, é o que dá força. Pela flor é que vou livre e tardia. Água para a flor. A garrafa de água sempre meio cheia, a outra parte cheia de ar; aí a vida é possível.